Cerca de 900 mil beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) tiveram o acesso a plataformas de apostas online bloqueado a partir de 1º de dezembro. A medida foi adotada pelo Governo Federal para cumprir uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada em novembro de 2024, que determinou ações para impedir o uso de recursos de programas sociais em jogos de aposta.
O objetivo da restrição é preservar o caráter assistencial dos benefícios e evitar que o dinheiro público, destinado à subsistência básica de famílias em situação de vulnerabilidade, seja direcionado a apostas de quota fixa, um setor que vem crescendo de forma acelerada no Brasil.
Levantamentos internos do governo indicam que uma parcela relevante dos beneficiários já utilizava esse tipo de plataforma, o que acendeu o alerta sobre os impactos sociais e financeiros da prática. A decisão do STF obrigou o Executivo a implementar mecanismos de controle mais rígidos para coibir esse uso indevido.
Impacto no mercado de apostas
Com o bloqueio, a expectativa é de queda no faturamento das empresas do setor. Estimativas apontam para uma redução entre 8% e 15% na receita das plataformas, justamente pela exclusão de um público numeroso. O mercado de apostas online, apesar da expansão recente, passou a enfrentar maior fiscalização e regulamentação por parte do governo.
Para cumprir a determinação judicial, as operadoras passaram a cruzar dados com bases do Ministério do Desenvolvimento Social. As verificações ocorrem em diferentes etapas, como cadastro, login e realização de apostas, para identificar beneficiários ativos dos programas sociais.
Falhas e ajustes no sistema
Apesar do avanço na implementação da medida, foram registrados casos de bloqueio indevido. Ex-beneficiários relataram dificuldades de acesso às plataformas mesmo após o encerramento do recebimento dos auxílios. O problema ocorre porque as bases de dados são atualizadas mensalmente, o que pode gerar defasagem entre a saída do programa social e a liberação do acesso.
O governo reconhece as falhas e afirma que ajustes estão sendo feitos para reduzir erros e garantir que apenas quem recebe atualmente os benefícios seja impactado pela restrição.
Monitoramento e próximos passos
A Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, acompanha a aplicação da proibição e monitora o cumprimento da decisão por parte das empresas. O foco é assegurar que os recursos públicos mantenham sua finalidade original e que a determinação do STF seja plenamente respeitada.
Segundo o governo, o bloqueio seguirá em aperfeiçoamento nos próximos meses, conforme a melhoria dos sistemas de controle e cruzamento de dados.
Fonte: TNH1