Regis Dudena admite que governo pode aumentar restrições à publicidade de apostas

O secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da FazendaRegis Dudena, afirmou durante entrevista ao C-Level, videocast da Folha de São Pauloque o governo federal pode estabelecer uma restrição maior à publicidade de apostas esportivas e jogos on-line no Brasil

Durante a conversa, Dudena comentou a respeito das críticas em relação ao excesso de publicidade do setor por parte de influencers, apresentadores de TV, canais esportivos, atletas e ex-atletas: “Quando se faz a crítica muitas vezes se está a olhar para a ativação em estádio, camiseta de clube de futebol, propaganda na televisão, que obviamente isso talvez em algum momento precise ser controlado um pouco mais, algumas restrições”.

Uma das possibilidades ventiladas em projetos de lei é a restrição de participação de atletas na publicidade de operadoras: “A exposição de atletas, por exemplo, se for algo que a gente reconheça como não desejável, eventualmente a gente vai restringir. Se a atuação de pessoas públicas tenha que ser restringida, eventualmente vai se restringir. O que a gente não pode é querer fazer tudo de uma vez ao mesmo tempo”.

Para o secretário, buscar fazer tudo ao mesmo tempo é uma receita para uma regulamentação que não se estabiliza: “Não traz segurança jurídica para quem precisa ter essa segurança, que são as pessoas e a economia popular”, acrescentou Dudena.

Ele também afirmou que não vê com bons olhos uma restrição completa da publicidade, e explicou que hoje já há restrições ao conteúdo da publicidade: “Não pode, por exemplo, falar que aposta é algo diferente daquilo que ela é. Aposta é entretenimento, é gasto de dinheiro. Falar que você vai ficar rico, falar que você vai ser mais bonito, falar que você vai ter sucesso social, que vai ter complementação de renda, é proibido”.

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Dudena também disse não acreditar que o grande volume de dinheiro investido pelo setor em publicidade se mantenha nos próximos anos: “É uma curva no tempo. Eu não consigo imaginar que esse investimento publicitário perdure. Haverá uma acomodação no tempo dos investimentos em publicidade e isso tende a arrefecer”.

Por fim, o secretário também falou sobre a importância do combate ao mercado ilegal. Ele avaliou que a publicidade mais relevante neste combate é a disponibilização do link para o site de apostas: “Como é que, normalmente, uma pessoa chega numa casa ilegal? Ela está navegando por perfis de redes sociais ou por sites de busca e se depara com um link, seja divulgado por um influenciador, seja dentro de alguma campanha fingindo não ser uma campanha. Ela clica nesse lugar, é direcionada para uma casa de aposta, e, então, se engaja nessa atividade de aposta do ilegal”.

Dudena também falou sobre o trabalho feito em conjunto com processadoras de pagamento, que visa “asfixiar” os sites ilegais: “Se a gente conseguir cortar o fluxo financeiro, e de acesso das casas de apostas ilegais via redes sociais, a gente mata esses ilegais”, completou o secretário.

Ele, no entanto, reconheceu que o trabalho para cortar recursos das apostas ilegais não será feito da noite para o dia, mas já começou: “Se a gente conseguir impedir que esse fluxo se dê, a tendência é que a gente consiga fazer uma boa restrição dos ilegais”.

Fonte: SBC

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