Meta atualiza políticas de anúncios para apostas on-line e faz exigências para anunciantes

Meta, dona do Facebook e Instagram, atualizou mais uma vez suas políticas para jogos on-line. Agora, a empresa exige que os anunciantes interessados em divulgação de apostas obtenham autorização prévia por meio do Meta Business Suite e comprovem que estão devidamente licenciados ou legalmente estabelecidos nos países onde desejam atuar.

A política se aplica a qualquer produto ou serviço que envolva pagamento para participar e ofereça um prêmio com valor econômico. Isso inclui apostas esportivas, loterias, bingos, cassinos on-line, pôquer, fantasy sports e até jogos que utilizem moedas digitais como Bitcoin.

Além da exigência de autorização, os anúncios devem seguir os padrões comunitários e de publicidade da Meta. É terminantemente proibido direcionar esse conteúdo a menores de 18 anos ou a países onde esse tipo de publicidade não é permitido.

A lista de jurisdições vetadas inclui mercados asiáticos como Tailândia, Indonésia e Vietnã, além de países do Oriente Médio como Arábia Saudita, e da Ásia Central como o Quirguistão.

A Meta também anunciou que diferencia os anúncios que promovem estabelecimentos físicos de “jogos de azar”, como cassinos, desde que não ofereçam apostas on-line, além de permitir publicidade de loterias estatais ou promoções que envolvam a compra de produtos, contanto que o jogo não seja o modelo principal de negócio.

A lista com todas as alterações está disponível no site de transparência da Meta.

Meta é acusada de dificultar campanhas contra apostas e favorecer publicidade do setor

Segundo uma denúncia feita pelo Open Rights Group (ORG), organização sem fins lucrativos do Reino Unido que atua na defesa da privacidade e dos direitos digitais, a Meta estaria sendo mais rígida com publicidades contra o jogo compulsivo do que com publicidades de divulgação de jogos.

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Segundo o relatório, campanhas voltadas à prevenção do vício em jogos são obrigadas a atender critérios de transparência muito mais rigorosos do que anúncios que promovem cassinos on-line, apostas esportivas e cassinos sociais.

O relatório ainda destaca que os mais impactados por esse modelo são justamente os grupos mais vulneráveis: pessoas com histórico de vício, jovens e adolescentes, indivíduos em dificuldades financeiras ou com problemas psicológicos. A coleta e o cruzamento de dados por meio de ferramentas como o Meta Pixel permitem que usuários recebam uma avalanche de anúncios de jogos, muitas vezes sem que tenham consentido de forma clara.

O documento também aponta falhas na proteção de menores. Embora a Meta afirme que não permite segmentar anúncios para menores de 18 anos, testes realizados em 2024 pelo Tech Transparency Project conseguiram veicular conteúdos de perda de peso, bebidas alcoólicas e jogos de aposta para adolescentes de 13 a 17 anos, usando as próprias ferramentas de IA da empresa.

Segundo o ORG, os algoritmos de IA passaram a operar com ainda menos transparência e controle, podendo reforçar preconceitos e fragilidades preexistentes.

“A justiça e a igualdade de acesso não são prioridade. O lucro continua sendo o foco central”, resume o relatório.

Enquanto isso, outras big techs tentam adotar uma abordagem diferente. O Google, por exemplo, relatou ter removido mais de 5 bilhões de anúncios fraudulentos em 2024, além de restringir 9,1 bilhões e suspender mais de 39 milhões de contas de anunciantes. Dentre os conteúdos restringidos, 108,9 milhões estavam relacionados a jogos e apostas.

98,7% de acessos a sites de casas de apostas são feitos por dispositivos móveis

Segundo nova pesquisa da Aposta Legal, em maio de 2025, 98,7% dos acessos a sites de apostas legalizados no país foram feitos por dispositivos móveis, e apenas 1,3% dos acessos ocorreram via computadores.

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Em maio deste ano, sites de apostas autorizadas acumularam mais de 2 bilhões de visitas no país. O tempo médio de navegação, que era de 13 minutos, subiu para 14 minutos por visita. Mais de 77% dos usuários vão além da homepage, sinalizando forte interesse e envolvimento com o conteúdo.

As exigências para disponibilização nas lojas incluem restrição a maiores de 18 anos, funcionamento exclusivo em território nacional, classificação etária de “somente adultos” e diretrizes claras de jogo responsável. Além disso, os operadores devem manter links funcionais que direcionem para a página oficial do aplicativo, garantindo transparência e rastreabilidade.

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Fonte: SBC

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