O primeiro ano de regulamentação do mercado de apostas no Brasil foi um período de amadurecimento acelerado. Segundo Elisa Mussolino, head de produtos da Paag, techfin que atua como meio de pagamento e fornece soluções tecnológicas para o iGaming, o novo marco legal “exigiu transformações profundas na indústria para garantir a conformidade, profissionalizar a operação e, acima de tudo, entregar resultados consistentes”.
Nesse contexto, a Paag ampliou seu ecossistema de soluções voltadas à sustentabilidade dos operadores. Entre os destaques, estão o Paag Finance, Shield KYC e o Shield PLD, lançado com foco em prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de risco e fortalecimento das práticas de Jogo Responsável. A solução atua como uma blindagem de compliance, fornecendo inteligência de dados e ferramentas para que as operações tratem o Jogo Responsável com seriedade.
Para 2026, o setor deve passar por um processo de consolidação. Operações que investiram em tecnologia e compliance terão espaço para se destacar, enquanto aquelas que não se estruturaram podem encontrar dificuldades diante das exigências regulatórias. É o que indica Elisa, que também acredita que esse movimento tende a favorecer as operações que investiram de forma consistente em compliance e tecnologia, destacando-se pela transparência e solidez.
Apesar dos avanços em processos e tecnologia, o setor ainda precisa amadurecer na cultura de Jogo Responsável, utilizando de forma genuína as ferramentas de proteção já existentes. Segundo a executiva, “cortar um comportamento de risco hoje não é perder receita, é proteger o LTV (métrica para quantificar o valor financeiro total que determinado cliente gera para uma empresa) do cliente amanhã”, ressalta.
O crescimento do mercado brasileiro de apostas também é visto como potencialmente significativo. Com a regulamentação, a expectativa é de que o desenvolvimento seja mais qualitativo, envolvendo toda a cadeia de operações, tecnologia e compliance, e consolidando o iGaming como uma vertente legítima de entretenimento.
Confira, a seguir, as projeções e o saldo do primeiro ano do mercado regulamentado realizado pela executiva.
Como você vê que o setor evoluiu nesse primeiro ano de regulamentação?
Elisa Mussolino – Impulsionado pelo novo marco legal, vejo que este primeiro ano foi de amadurecimento acelerado. O cenário exigiu transformações profundas na indústria para garantir a conformidade, profissionalizar a operação e, acima de tudo, entregar resultados consistentes.
O que o setor ainda precisa melhorar?
O setor evoluiu muito em tecnologia e processos, mas ainda precisa amadurecer na cultura de Jogo Responsável. O setor precisa trabalhar unido para desmistificar a indústria perante a sociedade brasileira, reforçando o iGaming como uma vertente legítima de entretenimento, e não como fonte de renda.
O desafio agora é garantir que as ferramentas de proteção, que já existem e são robustas, sejam utilizadas de forma genuína, e não apenas para cumprir um checklist regulatório. As operações precisam entender que cortar um comportamento de risco hoje não é perder receita, é proteger o LTV do cliente amanhã. Essa é uma evolução que ainda precisa ocorrer.
Como enxerga a consolidação do mercado de apostas no Brasil?
Enxergo como um movimento natural e até esperado. A regulação elevou muito a régua de exigência técnica e financeira, e isso funciona como um filtro de qualidade.
Quem fez o dever de casa em 2025 e construiu bases sólidas, terá espaço para crescer. Já as operações que não se estruturaram, naturalmente terão dificuldades para seguir o ritmo desse novo mercado. É uma consolidação que, no fim do dia, traz mais segurança para o setor e para o usuário.
Quais as expectativas para o setor em 2026?
Vejo 2026 como o ano da consolidação. Se em 2025 foi dedicado a construir as bases, o próximo ciclo será focado na validação dessas estruturas.
Naturalmente, haverá um acompanhamento mais próximo por parte do regulador, e vejo isso como algo positivo. Será o momento em que as operações que investiram em um trabalho profundo de compliance e tecnologia poderão demonstrar a solidez e a transparência de seus negócios, destacando-se no mercado pela qualidade da sua entrega.
Como a Paag evoluiu nesse período?
Nesse cenário, a Paag não apenas se adaptou, mas consolidou seu protagonismo e autoridade no iGaming. Fomos além da conformidade básica, expandindo nosso ecossistema com soluções vitais para a sustentabilidade dos operadores.
A Paag vem com um histórico de lançamentos que garantiram conformidade aos operadores, tais como Paag Finance e Shield KYC, mas destaco o lançamento estratégico do Shield PLD, que atua como uma verdadeira blindagem de compliance, entregando inteligência de dados para gestão de risco e fornecendo as ferramentas robustas necessárias para tratar o Jogo Responsável com a seriedade que a nova legislação exige.
O quanto o mercado brasileiro ainda pode crescer como indústria?
Vejo um potencial imenso. O Brasil já nasce como um gigante, mas acredito que, com a segurança jurídica da regulação, temos tudo para nos consolidar no Top Global em volume de negócios.
O crescimento agora deixará de ser apenas em volume de novos usuários e passará a ser qualitativo. Vamos ver o desenvolvimento de toda uma cadeia indústria, tecnologia, meios de pagamento, marketing e compliance. O Brasil tem um alcance digital e uma paixão pelo esporte que são únicas no mundo: quando somamos isso a um ambiente regulado, o teto de crescimento ainda está muito longe.
Fonte: Paag