No Dia Internacional da Mulher, o presidente Lula, em um pronunciamento que deveria ser dedicado à celebração da data, inseriu, de forma desconectada, críticas ao setor de apostas.
Já no dia 02 de abril, o ex-ministro Fernando Haddad afirmou:
“Nem imposto de renda, nada. Nem imposto sobre o lucro, nada… Quatro anos sem pagar imposto… me apelidaram de ‘Taxadd’ porque resolvi cobrar imposto de bet…”
A narrativa apresentada não se sustenta nos fatos. A alegação de que o setor teria criado o termo “Taxadd” é incorreta. A regulamentação foi sancionada em 31/12/2023, enquanto o apelido surgiu apenas em julho de 2024, impulsionado por outras medidas tributárias, como a “taxa das blusinhas”.
Mas o ponto central não é apenas a imprecisão. É o contexto político.
Ambos os pronunciamentos têm um elemento em comum: as eleições. O presidente busca a reeleição e o ex-ministro projeta disputar o governo de São Paulo.
E qual a conexão entre atacar um setor regulado e as eleições?
O voto conservador.
Nesse cenário, o setor passa a ser utilizado como “escadinha” para aproximação com esse eleitorado.
Estamos no início de abril e as bets já estão sendo colocadas nas cordas antes do auge do debate eleitoral. Como na música dos Paralamas, “Depois da Queda, o Coice” quem apanha primeiro precisa reagir.
A situação se agrava com a entrada de novos atores. Setores como varejo e bancário passaram a divulgar estudos sobre endividamento, ampliando a pressão pública. Cria-se um efeito cascata: discursos políticos alimentam estudos, que alimentam colunas e posts nas redes sociais.
Enquanto isso, esses setores possuem associações fortes e interlocução em Brasília. As bets ainda carecem de uma voz unificada.
Chegamos a um momento decisivo. Não se trata apenas de reputação, mas de sustentabilidade regulatória e legitimidade.
Sem organização, cada operador perde força. Com organização, o setor atua como indústria e não como alvo.
Porque, no ambiente político atual, quem não ocupa espaço vira pauta. E quem vira pauta vira alvo.
Fonte: BNL Data





